miércoles, 11 de agosto de 2010

Cibercultura

O filósofo francês Pierre Levy, em seu livro, Cibercultura, resultado de um relatório do Conselho Europeu, discute as implicações culturais do desenvolvimento das tecnologias da informação e comunicação.
Levy descreve-se como um otimista em relação às transformações culturais e sociais que estão ocorrendo nesse novo milênio com o advento das redes digitais. Ao afirmar que a tecnologia é criação humana, e, portanto, projeta nossos interesses, emoções e intenções, o autor reconhece que nem sempre fazemos bom uso das tecnologias. No entanto, acredita que ao compreender as mudanças qualitativas resultantes do surgimento desse “novo universal”, a cibercultura, poderemos desenvolver as tecnologias de uma maneira mais humanista.
Na introdução, o autor faz uma analogia da era informacional com o dilúvio bíblico para explicar o conceito de cibercultura: a nova universalidade intotalizável, fluida, virtual, onde apenas o dilúvio informacional é universal. No entanto, diferentemente do primeiro dilúvio, este jamais cessará. Devemos, portanto, adaptarmos a sua turbulência, à sua desordem.
Na primeira parte da obra, Levy critica a metáfora do impacto das TIC sobre a cultura ou a sociedade, afirmando que não podemos dissociar as tecnologias da humanidade, visto que as técnicas são imaginadas, produzidas e reinterpretadas pelo homem. Em seguida, apresenta vários conceitos técnicos, amplamente utilizados na era digital, importantes para sustentar e esclarecer o conceito de cibercultura, fazendo-nos entender, por exemplo, o conceito de virtual, que é real e existe, sem estar presente.
A segunda parte aborda as implicações culturais do desenvolvimento do ciberespaço enfatizando que o uso crescente das redes digitais interativas acompanha e amplifica uma profunda mudança na relação com o saber pondo em discussão o funcionamento de instituições e seus modos de divisão do trabalho tanto nas empresas, como nas escolas.
Na última parte, procura desconstruir alguns mitos defendendo a tese que a rede impossibilita o monopólio do saber. Analisando as criticas à cibercultura, os conflitos que esta provoca, as relações de poder, Levy apresenta o seu ponto de vista, respondendo denúncias, rebatendo críticas defendendo a promoção de práticas de inteligência coletiva.
O conceito fundamental da obra é que o ciberespaço é um universal (permite conexão geral) sem totalidade (comporta diversidade de sentidos) e é também potencialmente humanizador e humanizável, pois permite a democratização da informação, a valorização das competências individuais, o desenvolvimento da inteligência coletiva e a defesa dos interesses das minorias.
Na educação, Levy traz algumas inquietações a respeito da educação escolar afirmando a necessidade de uma nova política de educação, onde o professor deixa de ser o transmissor de conhecimentos e passa a ser o mediador de inteligências coletivas. Propõe a instituição de um currículo que reconheça conhecimentos e competências individuais adquiridas na vida social e profissional. Daí a necessidade de repensar a escola, os sistemas de aprendizagem e de avaliação. Portanto, propõe uma nova pedagogia!
Não podemos reduzir a tese do autor à formula:- a rede de computadores é boa porque é útil. Tampouco podemos deixar de dar alguma razão àqueles que apontam os problemas que ela representa. Porém o convite a reflexão apresentada nesta obra, por si só, já nos traz uma importante contribuição.

No hay comentarios.:

Publicar un comentario